segunda-feira, 14 de julho de 2008

Akator (Repudio)

Olá pessoal, sou Kaiuca, e vou postar o primeiro conto do blog : DWoooW!Mas antes uma observação: Já pensou que merda deve ser? Você ser uma vassoura? Ficam batendo com sua cara no lixo a vida inteira, cachorros te mordem, batem você neles, e quando você está caduca, indo pra aposentadoria (lixo). Vem um morador de rua e te leva pra varrer a calçada, ou pior, você é jogada num caminhão de... LIXO, não LIXO de novo não. Portanto, se você não for uma vassoura, pare de reclamar da sua vida. Seu merda.
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“O Eldorado (ou akator em maia) é uma antiga lenda narrada pelos índios aos espanhóis na época da colonização das Américas. Falava de uma cidade cujas construções seriam todas feitas de ouro maciço e cujos tesouros existiriam em quantidades inimagináveis. Acreditou-se que o Eldorado fosse em várias regiões do Novo Mundo: uns diziam estar onde atualmente é o Deserto de Sonora no México. Outros acreditavam ser na região das nascentes do Rio Amazonas, ou ainda em algum ponto da América Central ou do Planalto das Guianas, região entre a Venezuela, a Guiana e o Brasil (no atual estado de Roraima). O fato é que essas são algumas — entre as várias — suposições da possível localização do Eldorado, alimentadas durante a colonização do continente americano. Apesar da lenda, muito ouro e prata foram descobertos nas Américas, em territórios como o Alto Peru, Sudeste do Brasil (Minas Gerais) e nas regiões onde viviam as civilizações Azteca, Inca e Maia. O termo Eldorado significa O (homem) dourado em espanhol; segundo a lenda, tamanha era a riqueza da cidadela, que o imperador tinha o hábito de se espojar no ouro em pó, para ficar com a pele dourada.”·

Repudio

3000 anos de prosperidade, o que havia começado com apenas uma vila se tornara um império que estaria destinado a ser lembrado para todo o sempre. Porem, essa lembrança honrosa teria um preço, um preço que veio com a chegada dos Navios Negros a costa de Nim Li Punit. O Homem branco trazia consigo não bênçãos e “la verdade” como diziam, mas sim doenças, maldade, animais e armas terríveis.
As frágeis espadas de ouro puro Maias não eram nada contra os pesados sabres de cobre do Homem Branco, ainda assim os Maias lutaram, eles puderam resistir durante algum tempo, todavia com a chegada de mais Navios Negros e dos monstros de aço, a resistência ficava cada vez mais difícil e debilitada. Os monstros de aço cuspiam bolas de fogo, e essas explodiam em forma de caos e destruição. As Maias corriam desesperadas, já haviam visto que nem as grávidas escapavam da fúria dos Navios Negros e seus tripulantes macabros, que apostavam se conseguiam cortar, com apenas um golpe, mulher e seu filho.
Bonampak, era líder de um grupo de guerreiros, antes de 15 homens, hoje com apenas 4, o grupo continuava guerreando contra os espanhóis, tal grupo que era formado por Pelenque, seu melhor amigo, Uxmal, seu primo, e Calakmul seu filho, e ele próprio. Juntos haviam conquistado e protegido terras Maias de todos povos possíveis, e não era dos espanhóis que eles iriam correr.
“Eles queimam nossos guerreiros! Eles não nos dão sepultura digna!” Gritava a seus homens, “Mas, não é por isso que vamos nos igualar a esses monstros! Vamos derrotá-los, e dar-lhes sepultura digna!! O lugar de descanso eterno de um guerreiro, é no estomago de outro guerreiro! Nós iremos derrotá-los, absorver suas forças, e usá-las para o bem de nosso povo!”.
E os quatro correram para proteger a cidade de Nim, transformada em um imenso campo de morte. Os poucos guerreiros que lutavam eram aniquilados, eles tentaram fazer a diferença naquela batalha, que embora não tenha entrado para historia como uma das maiores batalhas, ou o com maior número de mortos da conquista da América, aqueles quatro homens lutavam como se fosse a ultima vez de sua vida. Fora uma batalha sangrenta, porem os quatro homens não tiveram ferimentos muito graves, apenas cortes, e arranhões.
Bonampak ia de encontro ao filho quando ouviu-se o rugido de um monstro de aço. Ele havia cuspido uma bola de ferro em chamas, e os Maias que não conseguiram fugir, ou que estavam lutando ficaram apavorados, na verdade os espanhóis no campo de batalha também tremeram.

Bonampak acordou e viu tudo rodar, quando a bola de fogo explodiu pedaços de aço e pedra haviam lhe acertado a cabeça e ele desmaiara. Ele se levantou e viu Pelenque ajudando um criança que tivera sua perna amputada a ir de encontro a mãe.
“Bonampak” Ele se virou “Uxmal, me amigo..” “Bonampak, após a chegada dos monstros de aço, os Homens brancos bateram em retirada, as bolas de fogo destroem tudo, todos gritavam alguns brancos foram mortos por seu próprio monstro... porem a cidade está destruída, e temos muitos mortos e feridos, perdemos de novo Bonampak”, “Sim, devemos limpar nossa honra, morrendo no campo de batalha, salvando os Maias.”.
“Bonampak!! O Oráculo quer velo!”. Oráculo era um velho muito sábio, mais sábio que velho, e olha que ele era muito velho. “Bonampak”. “Senhor”, “Bonampak, você conhece a lenda de Akator?”, “Parte dela senhor”, “Sim, presumo que sim. Akator, uma cidade construída de ouro maciço, se esses monstros puserem as mãos na cidade sagrada de Akator, será o fim da população Maia, eles são sedentos por ouro, esses Europeus. Então, temendo que um dia nosso povo fosse exterminado Akator foi construída muito abaixo da linha marítima, há 4 barreiras enormes que impedem que a água do mar invada a cidade, porem se um dia precisarmos abandoná-la destruímos duas barragens e esperamos a maré cheia, que destruirá toda a cidade.”, “É brilhante senhor!” “Sim é, porem Bonampak, se os Europeus continuarem avançando por nossos territórios, e nessa velocidade, eles alcançaram Akator antes que as barreiras sejam destruídas. É impossível nesse momento dete-los, portanto Bonampak, leve seus guerreiros, e proteja Akator.”, “Mas senhor! Há pessoas morrendo!”, “Nossos guerreiros são fortes o suficiente para salvar quem está predestinado a ser salvo... nós estamos condenados Bonampak, não espere voltar a lutar depois de proteger Akator.”.
As palavras do Oráculo demoraram a sair da cabeça de Bonampak, ele se levantou e andou pelo o que antes fora a cidade de Nim Li Punit, mortos por todos os lados, feridos agonizando, mulheres, crianças, a morte não diferenciava nem sexo, nem idade, nem geração. Coisa que Bonampak sentiu no coração ao ver o corpo de seu filho, desfigurado; “Calakmul.” Ele se ajoelhou e fechou o olho que ficara no rosto do filho. Uxmal e Pelenque apareceram, “Bonampak...”, “Preparem seus estomagos, e façam uma fogueira, nos vamos fazer um funeral.” “O que?” “’A Sepultura de um guerreiro é no estomago de outro guerreiro’ vamos comer o corpo de Calakmul, absorver sua força, e usá-la para proteger Akator dos Monstros que se dizem avançados e civilizados.”, “...” “Sim Senhor!”.
E os três comeram em silencio, sentindo a energia do jovem Calakmul passar lentamente para seus corpos mais velhos.

Andaram por 3 dias e 4 noites até chegarem ao vale de Akator, era difícil imaginar que era possível cavar um platô tão grande, havia vários rios secos, que davam no platô não natural. e 130 Metros abaixo, havia uma cidade, onde até as ruas eram feitas de ouro puro. “Chegamos” disse Bonampak, “Aqui é Akator. Homens, comam algo hoje, durmam preparados para lutar, e amanhã não comam, não podemos nos dar o luxo de passar mal”.
No dia seguinte, os três estavam a postos, a beira do penhasco que voltaria em breve a ser mar. Uxmal usava uma armadura feita de penas da águia real mais bela e forte que vivera no céu, sobre sua cabeça, a cabeça da águia, armado com uma lança, ele honrava à Rainha dos céus. Pelenque usava uma armadura feita da pele da onça mais feroz e corajosa da mata, sobre sua cabeça, a cabeça da onça, e estava armado com garras de ouro ele honrava a rainha da mata. Bonampak estava nu, usava apenas uma mascara de ouro, e estava armado com a espada do Oráculo, ele honrava a Hurakán, o Deus da tempestade. Os três juntos honravam ao seu povo. E a si mesmos.
Eles não precisaram esperar muito para os espanhóis chegarem, não tantos quantos Bonampak esperara, apenas 100, os guerreiros Maias eram realmente mais fortes em espírito. “Vamos mostrá-los que honra, e espírito são mais importantes que tecnologia e lucro próprio!” e os três correram para o exército espanhol, não podiam se dar ao luxo de perder, cada movimento era aproveitado, uma virada, um golpe. Cada paço, um chute. Em poucos segundos espanhóis estavam cobrindo o chão, e os guerreiros Maias, embora feridos, e cansados da viagem, continuavam os três de pé. Bonampak sofreu um corte sério no braço direito.
“BONAMPAK!” gritou Uxmal, “Uxmal atrás...!” mas fora tarde de mais e a ponta da lança espanhola apareceu no tórax de Uxmal, que vomitou sangue, e falou baixo “A Sepultura de um guerreiro é no estomago de outro guerreiro... você acha que eu e todos os guerreiros mortos por minhas laminas, morreremos tão fácil?” ele virou-se e com um golpe decapitou o homem que o ferira, porem, mesmo falando aquilo, Uxmal era apenas um ser humano e mesmo conseguindo lutar ficou muito debilitado, e ia sendo facilmente ferido. As penas de sua armadura adquiriram coloração vermelho-sangue e ele cambaleando ia se afastando de onde Bonampak e Pelenque lutavam, e foi a beira da ladeira que levava a Akator que Uxmal viu o braço direito de Bonampak cair no meio do campo de batalha. Vendo o terror dos homens que lutavam, Uxmal começou a cantar, mas a cantar uma canção de repudio, canção que os pássaros carregaram, e todos os povos que sabiam ouvir os animais cantaram, Uxmal fixou sua lança no chão, e caiu, morto, seu corpo rolou e foi rolando até a porta da cidade Akator.
Bonampak e Pelenque continuaram lutando. Bonampak estava exausto, pelo tempo de luta, e pela perda de sangue do braço amputado depois de vários golpes consecutivos, quando olhou para as barreiras e viu que apenas uma havia sobrado, era só esperar a maré subir e teriam direito ao descanso eterno.Porem ouviu-se um rugido na mata, e o monstro de aço cuspiu mais uma bola de fogo, que por sua vez gerou uma explosão que matou 4 homens, os 3 espanhóis anônimos que mais bravamente lutaram e Pelenque, arremessando os 4 para o penhasco.
Bonampak não entendia, porque? Porque aquele monstro matava mesmo seus homens mais bravos? Ele foi andando para trás, até a beira do penhasco, não tinha mais como lutar, soltou sua espada, e ouviu os pássaros, e então compreendeu, e começou a cantar o repudio, quando um homem puxou uma miniatura do monstro de aço e o monstrinho cuspiu uma bolinha, que por sua vez destruiu a mascara de ouro de Bonampak, ele sentiu o sangue sair de dentro de sua cabeça e descer pelo rosto. E ele caiu, dizem que alguns homens ao tentarem pegar as peças de ouro que formavam a mascaram de Bonampak viram o ultimo guerreiro Maia e uma cidade de ouro puro serem engolidas pelas águas do mar, águas que re-encheram os rios secos, e destruíram Akator. E os homens gananciosos que conseguiram resistir a pular para roubar Akator e sobreviveram contaram a historia não de Akator, mas sim de “El Dorado”, Alguns até dizem que os pedaços de ouro achados nos rios da Amazônia são os resquícios da cidade perdida.

E os espanhóis voltaram a Europa levando a espada de Bonampak como prova da existência de uma cidade de ouro, sem saber que o verdadeiro de tesouro de Akator não era o ouro, e sim o conhecimento escrito em toda cidade, conhecimento que nunca se saberá qual era, e nem porque os Maias o guardavam com tanto cuidado.
E os espanhóis nunca souberam também que o repudio cantado pelos povos que sabem ouvir os animais cantaram, não era um repudio a eles e sim, aos homens sem coração, aos que guerreiam sem motivo, e sem discrição, que matam tudo, e todos, destroem uma cultura, simplesmente por serem diferentes. O repudio dizia “(...)Como assim? Porque isso? Somos todos parecidos. Somos iguais. Somos um.”.

Por Kaiuca

2 comentários:

Anônimo disse...

Uau! Adorei, parece até filme! Muito bom, mesmo. Aguardo o próximo.

Gisa disse...

nossa, muiiito bom kaiuca! no começo eu estava com preguiça de ler, porque e muito longo mais eu fui começando a me interessar! Aguardo o próximo [2]